CHICAGO (8 set. 2025) – A estreia de Ben Johnson como técnico principal do Chicago Bears, nesta segunda-feira (20h15, ESPN) diante do Minnesota Vikings, coroa uma trajetória marcada por criatividade tática e rigor nos detalhes.
Uma jogada que chamou atenção
A candidatura de Johnson ganhou força em 22 de dezembro de 2024, quando, ainda coordenador ofensivo do Detroit Lions, comandou o lance “Stumble Bum” contra os próprios Bears. Na ocasião, Jared Goff fingiu tropeçar, Jahmyr Gibbs simulou recuperar um fumble e, com a defesa enganada, o quarterback lançou touchdown de 21 jardas para Sam LaPorta. O Lions venceu por 34 a 17 e ampliou a série sem vitórias de Chicago para dez jogos.
Mesmo irritado com a derrota em pleno Soldier Field, o gerente geral Ryan Poles confessou ter admirado a ousadia do rival. O presidente George H. McCaskey também admitiu ter sido enganado pela encenação. Naquele momento, Johnson já era o principal alvo da diretoria, que terminava o ano sob o comando interino de Thomas Brown.
Das contas ao desenho de jogadas
Nascido em Asheville, Carolina do Norte, Johnson demonstrou facilidade com números desde a infância. Aos seis anos, preencheu um caderno inteiro escrevendo de 1 a 10. Na adolescência, participou do programa nacional de competições MathCounts, mas dividia o tempo entre equações e esquemas ofensivos que desenhava inspirado em Joe Montana e no sistema de Bill Walsh, exibido na televisão pelo pai, Don, ex-coordenador ofensivo do The Citadel.
No ensino médio, liderou A.C. Reynolds ao título estadual 4A em 2002 e foi eleito jogador da conferência. Caminhou como walk-on na Universidade da Carolina do Norte (2004-2006) antes de trocar o campo pelo quadro-negro.
Aprendizado em Miami
Em 2012, Mike Sherman levou Johnson ao Miami Dolphins como assistente ofensivo. Sua principal tarefa era desenhar, à mão, cada detalhe do volumoso playbook. O ex-treinador lembra de encontrar o auxiliar ainda no escritório às 5h30 para entregar os diagramas revisados.
Promovido a técnico de wide receivers, Johnson permaneceu em Miami até a demissão geral de 2018. Sem emprego, atuou voluntariamente na Florida International University até ser contratado pelo Detroit Lions, em 2019, como assistente de controle de qualidade.
Ascensão em Detroit
Johnson virou treinador de tight ends em 2020 e coordenador do jogo aéreo em 2021. Após a retirada de Anthony Lynn do posto de coordenador ofensivo, Dan Campbell passou a dividir as chamadas com ele. A partir de 2022, Johnson assumiu de vez o ataque e transformou o Lions numa das unidades mais explosivas da liga.

Imagem: Ben Johns
Método e exigência em Chicago
Agora aos 39 anos, Johnson tenta repetir o sucesso em uma franquia que não vence jogo de pós-temporada desde 2010. No dia 20 de agosto, leu durante nove minutos trechos do livro “Objective Secure”, do membro das Forças Especiais Nick Lavery, a um auditório lotado no Halas Hall, gesto considerado inédito pelo diretor de pesquisa e análise Harrison Freid.
Durante a pré-temporada, o técnico não aliviou nem em um triunfo de 38 a 0 sobre o Buffalo Bills. Enquanto o coordenador ofensivo Declan Doyle chamava as jogadas, Johnson permaneceu atento na lateral, corrigindo detalhes e cobrando precisão, inclusive do calouro quarterback Caleb Williams.
Em sua apresentação oficial, o novo comandante chegou a brincar que “gosta de derrotar Matt LaFleur duas vezes por temporada”, sinal de competitividade herdada de Campbell. Apesar de projeções apontarem os Bears na quarta posição da divisão, Johnson garante que prefere arriscar o excesso de confiança a permitir qualquer traço de hesitação.
Com o pontapé inicial da era Ben Johnson, Chicago espera virar a página de 80 anos à procura de um quarterback de referência e de uma identidade ofensiva consistente.
Com informações de ESPN





