Katmandu (Nepal) – Tropas do Exército percorrem as ruas da capital nepalesa nesta quarta-feira (data local) para conter os distúrbios que resultaram em 30 mortos e mais de 1.000 feridos entre segunda e terça-feira, no pior episódio de violência no país em décadas.
Curfews e checagens
Aeroporto de Katmandu reabriu nesta manhã, mas a cidade permanece sob toque de recolher até quinta-feira. Militares instalam bloqueios, conferem documentos de veículos e orientam a população a permanecer em casa por meio de alto-falantes: “sem deslocamentos desnecessários”.
Convite a diálogo
Comandantes convidaram coletivos da “Geração Z”, que lideraram os atos, para negociações de paz. Estudantes preparam nova pauta de reivindicações, informou um representante ao serviço nepali da BBC.
Violência e prisões
Até agora, 27 pessoas foram detidas por incêndios, saques e depredações; 31 armas de fogo foram apreendidas. Tanto manifestantes quanto militares atribuem a destruição a “infiltrados”.
Edifícios incendiados
Na terça-feira, sedes do governo e residências de políticos foram atacadas. O quartel-general do Partido do Congresso Nepalês e a casa de seu líder, o ex-primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba, foram incendiados. Centenas invadiram e atearam fogo ao prédio do Parlamento, enquanto o complexo Singha Durbar e o Supremo Tribunal também sofreram danos; as audiências judiciais foram suspensas por tempo indeterminado.
Vítimas e fuga de presos
Autoridades confirmam 19 manifestantes mortos em confrontos com a polícia na segunda-feira e outras três mortes na terça-feira. Dois policiais também faleceram. Durante o caos, milhares de detentos escaparam de presídios; cinco jovens internos, todos menores de 18 anos, morreram quando forças de segurança abriram fogo contra fugitivos de uma unidade correcional em Banke, no oeste do país.
Banimento de redes sociais foi estopim
Os protestos começaram após o governo proibir 26 plataformas – entre elas WhatsApp, Instagram e Facebook – na semana passada. A medida caiu na segunda-feira, mas já havia catalisado descontentamento acumulado com a elite política e denúncias de corrupção divulgadas pela campanha “nepo kid”, que expôs o estilo de vida dos filhos de autoridades.

Imagem: Internet
Renúncia do premiê
O primeiro-ministro renunciou após a onda de violência, deixando um vácuo de poder. Manifestantes exigem uma liderança “independente, livre de afiliações partidárias”, segundo nota divulgada pelos grupos juvenis.
Vozes das ruas
Enquanto alguns jovens voluntários limpavam escombros nesta quarta-feira, a estudante Ksang Lama, 14 anos, resumiu o sentimento: “A corrupção existe no Nepal há muito tempo; é hora de mudar”. O manifestante Parash Pratap Hamal, 24, defendeu a necessidade de “figuras políticas independentes” e citou o prefeito de Katmandu, Balendra Shah, como exemplo. Já o morador Rakesh Niraula, 36, avaliou que a rebelião “foi uma lição para os líderes melhorarem”.
Sem novos protestos marcados, os organizadores pedem que forças de segurança façam cumprir o toque de recolher para evitar novos episódios de violência.
Com informações de BBC News





