Arremessadores relatam a experiência de encarar Aaron Judge, o gigante dos home runs

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NOVA YORK (11.set.2025) – Desde que estreou na MLB no fim de 2016, Aaron Judge, 2,01 m e 128 kg, tornou-se o rebatedor mais temido do beisebol. Nenhum outro jogador somou mais do que seus 359 home runs nesse período. Mesmo após perder parte da atual temporada por lesão no cotovelo direito, o capitão do New York Yankees caminha para o quarto ano com, no mínimo, 40 bolas fora do parque e OPS superior a 1.000, novamente na briga pelo prêmio de MVP da Liga Americana.

Primeiros alertas no beisebol universitário

Em 2 de março de 2012, o então astro de Stanford, Mark Appel, liderava o time número 1 do país quando enfrentou Fresno State, de Judge, sem grande material de vídeo para estudo. “Achamos que iríamos atropelar”, relembra Appel. Judge, que iniciara a temporada sem home run, mandou duas bolas para além do muro e conduziu a vitória por 7 a 4. “Naquele ano cedi apenas três homers; dois foram dele”, completa o ex-arremessador.

Erick Fedde, hoje no Milwaukee Brewers, enfrentou Fresno State pela Universidade de Nevada-Las Vegas e recorda a força incomum: “Ele já era um gigante e a bola simplesmente voava”. Matthew Boyd, atualmente no Chicago Cubs, ainda se impressiona: “Nosso time reclamava dos tacos; então vimos Judge, calouro, acertando o placar luminoso sem esforço”.

Verão decisivo na Cape Cod League

No torneio de 2012, destinado a universitários de elite, a fama de Judge cresceu. Anthony Montefusco, à época arremessador do Yarmouth-Dennis Red Sox e hoje vendedor de tecnologia na Flórida, tentou desafiar o slugger com uma bola rápida interna: “Errei o alvo e ele mandou 500 pés, no topo das árvores”.

Frederick Shepard, ex-Wareham Gatemen e hoje gestor de fundos em San Francisco, relata lance parecido em 8 de julho daquele ano, presenciado pela namorada que pedalou até o estádio: “Ele rebateu por cima das enormes árvores do campo central; o público ficou em silêncio”.

O estudo que antecede cada duelo

No nível profissional, o nome de Judge é o primeiro destacado nos relatórios de vídeo. “Você olha a ordem de rebatedores e pensa: não posso deixar esse cara me vencer”, afirma Max Fried, companheiro de equipe no Yankees após ser trocado nesta temporada.

Ryne Stanek, hoje no New York Mets, observa que muitos colegas entram receosos demais: “Quando precisam voltar à zona de strike, Judge já leva vantagem”. Para Sean Manaea, também nos Mets, o diferencial é combinar disciplina e força: “Ele não tenta apenas home run; cobre bola rápida, reconhece giro e não persegue arremessos fora”.

Martin Pérez, do Chicago White Sox, resume o cuidado: “Qualquer contato pode virar homer”. Tarik Skubal, Detroit Tigers, admite não ter fórmula: “Se eu soubesse, os números dele contra mim seriam diferentes”.

Intimidação física no montinho

A altura fora do padrão modifica a percepção da zona de strike. Spencer Strider, Atlanta Braves, diz que o “alvo parece enorme, mas engana; ele alcança tudo”. Robbie Ray, San Francisco Giants, acrescenta que a bola rápida no alto precisa subir “quase na altura dos olhos de outro rebatedor”.

Blake Snell, duas vezes Cy Young e amigo pessoal de Judge, brinca que prefere dar base por bolas: “Eu falo para ele não girar. Se ele acerta, pode voltar algo muito duro na minha direção”.

Arremessadores relatam a experiência de encarar Aaron Judge, o gigante dos home runs - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Rebatidas que ficam na memória

Jason Adam, relevo do Tampa Bay Rays em 2023, pensou ter cedido o empate quando Judge tocou forte uma bola alta. Curvou-se no montinho convicto de que seria um drive de 60 fileiras, mas viu José Siri pegar na pista de alerta: “Foi um alívio, e ele riu de mim depois”.

Chris Sale, Boston Red Sox, lembra de um foguete para o centro do campo em 2017: “Assim que a bola saiu, pedi outra. Ainda bem que era solo e vencíamos por larga margem”. Kyle Freeland, Colorado Rockies, leva na esportiva: “Você quer enfrentar os grandes nomes. Lembra quando os elimina e quando eles te castigam”.

Há também gestos fora das quatro linhas. Em 2016, na Triple-A, Judge pagou discretamente o jantar de Matthew Boyd e Buck Farmer em Scranton. No dia seguinte, rebateu dois homers em Farmer e um em Boyd. “Fez algo gentil e mesmo assim nos acertou”, conta Boyd.

Nem só de long ball vive o capitão

Embora acumule façanhas de poder, Judge também conhece o outro lado da moeda. Chris Sale o eliminou 17 vezes em 27 at-bats, maior sucesso individual contra o slugger. “Qualquer erro custa caro, então a concentração precisa ser máxima”, diz o canhoto.

Joe Ryan, Minnesota Twins, prefere não revelar detalhes do seu arsenal, mas confirma que variar e manter imprevisibilidade funciona. Para Genesis Cabrera, também nos Twins, “bons arremessos ainda prevalecem, mesmo contra o melhor do mundo”.

No fim, porém, até quem o domina aceita correr riscos calculados. “Se eu ceder o walk, tudo bem”, admite Fried. E Snell conclui: “Desafio o resto da ordem, mas não deixo Judge decidir o jogo”.

Com informações de ESPN

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