Garimpo ilegal usa explosivos e recruta jovens em condição análoga à escravidão na Raposa Serra do Sol

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Lideranças indígenas de Roraima denunciam que ao menos 500 garimpeiros atuam ilegalmente na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, empregando explosivos e submetendo jovens a trabalho degradante. As informações foram reunidas pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), que pede ação permanente do governo federal.

Os invasores concentram-se nas comunidades Napoleão, Tarame, Raposa I, Raposa II, em Normandia, e Urucá, em Uiramutã. Segundo o CIR, a extração ocorre com compressores, bombas, moinhos e, em menor escala, motores movidos a mercúrio nos cursos d’água.

Uso de explosivos intensifica danos

Moradores de Tarame relatam que as detonações são frequentes. “Todo mundo ouve as explosões, o chão treme”, afirma o tuxaua local, de 40 anos, que prefere não se identificar. Próximo à aldeia, foram encontrados maquinários, fiação elétrica e crateras recentes.

Jovens endividados no garimpo

Em Raposa II, um ex-tuxaua contou que adolescentes são atraídos por promessas de pagamento, mas acabam presos a dívidas de alimentação que podem chegar a R$ 100 por refeição. Um deles relatou ter descido 100 metros em um poço para quebrar pedras. “Isso se parece com escravidão”, disse a liderança.

A presença dos garimpeiros provoca contaminação por mercúrio em igarapés, incentivo ao consumo de drogas e afastamento dos jovens dos costumes tradicionais, apontam moradores.

Consequências ambientais e sociais

Na comunidade Urucá, em Uiramutã, a prefeitura registrou assoreamento e mudança no curso de um igarapé. Fotos anexadas ao ofício enviado à Funai e ao Ministério Público Federal (MPF) mostram água barrenta e margens erodidas.

Garimpeiros migraram da Terra Yanomami

O CIR acredita que parte dos invasores foi expulsa da Terra Yanomami, a cerca de 300 km dali. As denúncias incluem ainda ameaças de morte, furtos de animais e prostituição.

Órgãos públicos respondem

• Funai: informou que elabora novo plano de repressão ao garimpo e projetos de etnoturismo.
• MPF: instaurou inquérito civil em 2023 e atribui operações recentes às recomendações feitas.
• Casa de Governo: repassou as denúncias à Polícia Federal.
• Ibama: deflagrou, em junho, a Operação Xapiri-Omama, apreendendo equipamentos e constatando danos ambientais.
• Polícia Federal: não se manifestou até a última atualização.

A Raposa Serra do Sol, segunda maior terra indígena do país em população, abriga mais de 26 mil indígenas dos povos Macuxi, Taurepang, Patamona, Ingaricó e Wapichana. O território possui 1,7 milhão de hectares e está na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, área rica em minerais que atraem o garimpo ilegal.

O CIR prepara relatório sobre os impactos e cobra fiscalização contínua. “Operações pontuais não bastam”, afirma o coordenador geral, tuxaua Amarildo Macuxi.

Palavras-chave: garimpo ilegal, Raposa Serra do Sol, explosivos, jovens indígenas, Roraima, CIR, Funai, MPF, Ibama, mercúrio

Com informações de g1

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