Washington, 24 jun (BBC) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou que mediadores “avancem rapidamente” nas conversas indiretas entre Hamas e Israel, marcadas para esta segunda-feira (24) no Egito. O novo encontro busca pôr fim à guerra na Faixa de Gaza.
As tratativas acontecem após o Hamas concordar com parte de um plano de 20 pontos apresentado pelos EUA, que prevê a libertação de reféns e a transferência da administração de Gaza para tecnocratas palestinos. A resposta do grupo, porém, não mencionou as exigências de desarmamento nem a promessa de não voltar a governar o território.
Pressão de Washington
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que a primeira fase do acordo “deve ser concluída ainda nesta semana” e advertiu que “o tempo é essencial ou seguirá um banho de sangue em massa”. Ele disse acreditar que os reféns “começarão a ser soltos muito em breve”.
Questionado sobre eventuais ajustes no texto, o presidente declarou que “não é necessária flexibilidade, porque praticamente todos concordam”, embora admita “algumas mudanças”. Para Trump, o plano representa “ótimo negócio para Israel, para o mundo árabe, muçulmano e para o mundo inteiro”.
Bombardeios continuam
Apesar do pedido de Trump, ataques aéreos israelenses prosseguiram no fim de semana. A porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, disse que “alguns bombardeios foram interrompidos”, mas não há cessar-fogo. Segundo ela, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu autorizou tropas a “reagir por defesa própria” diante de ameaças em Gaza.
Moradores relataram explosões e disparos de tanques na madrugada de domingo (23), com a destruição de prédios residenciais na Cidade de Gaza. O Ministério da Saúde controlado pelo Hamas contabilizou 65 mortes nas 24 horas anteriores ao meio-dia.
Condições para libertar reféns
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou à CBS News que o bombardeio precisa cessar para viabilizar a libertação de reféns. O plano americano prevê o fim imediato dos combates e a entrega de 48 sequestrados — 20 deles presumivelmente vivos — em troca da libertação de centenas de palestinos detidos por Israel.
Em pronunciamento no sábado (22), Netanyahu afirmou esperar anunciar a liberação dos reféns “nos próximos dias” e limitou as negociações a “poucos dias, no máximo”. A delegação israelense parte nesta segunda para o Cairo.

Imagem: Internet
Participantes e mapas de retirada
O Hamas será representado pelo negociador Khalil al-Hayya, alvo de tentativa de assassinato em Doha no mês passado. Também devem participar o enviado especial americano Steve Witkoff, o assessor Jared Kushner e o chanceler do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani.
Trump advertiu, por mensagem à CNN, que o Hamas enfrentará “aniquilação completa” caso insista em permanecer no poder em Gaza. O presidente publicou ainda um mapa que, segundo ele, mostra a primeira linha de retirada israelense; análise da BBC indica que a proposta deixaria cerca de 900 mil palestinos impedidos de voltar para casa.
Balanço do conflito
A ofensiva israelense começou após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou em 251 sequestros. Desde então, 67.139 palestinos morreram em Gaza, conforme dados do Ministério da Saúde do enclave. Repórteres estrangeiros seguem proibidos de entrar no território sem escolta israelense, dificultando a verificação independente das informações.
Com as delegações a caminho do Egito, a região aguarda para saber se a nova rodada de negociações abrirá caminho para um cessar-fogo duradouro.
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Com informações de BBC





