Washington (EUA) – Um grande júri federal no Distrito Leste da Virgínia, em Alexandria, indiciou criminalmente a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, sob acusações de fraude bancária e declarações falsas a uma instituição financeira.
A denúncia, tornada pública nesta quinta-feira (19), sustenta que James obteve um empréstimo hipotecário para adquirir uma casa de três quartos em Norfolk, Virgínia, declarando que o imóvel seria sua residência secundária. Segundo os promotores, a propriedade nunca foi ocupada por ela e foi alugada a uma família de três pessoas, o que violaria as condições do financiamento, que proíbem uso como investimento ou compartilhamento de tempo.
A promotora especial designada para o caso, Lindsey Halligan – ex-advogada pessoal do presidente Donald Trump –, afirmou que o processo demonstra que “ninguém está acima da lei”. Cada acusação pode render até 30 anos de prisão e multa de até US$ 1 milhão.
Halligan assumiu o caso após a saída do procurador Erik Siebert, que, segundo relatos, renunciou depois de informar ao Departamento de Justiça não haver provas suficientes para incriminar James.
Em nota, Letitia James declarou que as acusações são “sem fundamento” e classificou o indiciamento como resultado de “pressão desesperada do presidente para usar o sistema de justiça contra adversários políticos”.
O advogado de James, Abbe Lowell, disse estar preocupado com o que chamou de “vingança” do presidente. No mês passado, Trump usou as redes sociais para pedir à procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, que processasse seus opositores, incluindo James.
A primeira audiência de Letitia James está marcada para 24 de outubro, no tribunal federal de Norfolk.

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A governadora de Nova York, Kathy Hochul (Partido Democrata), qualificou o indiciamento como “instrumentalização do Departamento de Justiça”. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e a filial de Nova York da entidade também criticaram a medida, chamando-a de mais um “abuso de poder” do presidente.
James ganhou projeção nacional ao mover, em 2023, uma ação civil por fraude contra o ex-presidente Trump. Naquele processo, o bilionário foi considerado responsável por inflar patrimônio para obter condições favoráveis de crédito; a multa de US$ 500 milhões foi posteriormente anulada por um tribunal de apelação, que, contudo, manteve o veredito de fraude.
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Com informações de BBC News





