Caracas – A concessão do Prêmio Nobel da Paz à líder opositora María Corina Machado, anunciada nesta sexta-feira (4), foi recebida com entusiasmo pelos adversários do presidente Nicolás Maduro e reabriu o debate sobre o grau de envolvimento que os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, podem ter na crise venezuelana.
Em mensagem após o anúncio, Machado afirmou: “Hoje, mais do que nunca, contamos com o presidente Trump”. A dirigente também pediu apoio dos EUA, de outros países latino-americanos e de “nações democráticas do mundo” para que a Venezuela “alcance liberdade e democracia”.
Situação interna continua crítica
O país enfrenta pobreza generalizada, falhas frequentes no fornecimento de luz, colapso do sistema de saúde e um êxodo de milhões de venezuelanos. A eleição mais recente foi amplamente considerada nem livre nem justa, e organizações de direitos humanos estimam que centenas de opositores ainda estejam presos.
Hoje em paradeiro desconhecido, Machado é vista como líder de facto da oposição. Já Edmundo González, candidato reconhecido por EUA e outros governos como presidente eleito, vive no exterior. Ambos foram acusados de “traição” pelo Palácio de Miraflores. Os protestos de rua diminuíram devido ao risco de detenção, e as Forças Armadas seguem majoritariamente leais a Maduro.
Atuação militar dos EUA no Caribe
Nas últimas semanas, as forças norte-americanas bombardearam pelo menos quatro embarcações em águas internacionais próximas à costa venezuelana, provocando a morte de 21 pessoas. Washington afirma que os alvos estavam ligados ao narcotráfico; juristas questionam a legalidade dos ataques, classificando-os possivelmente como violação do direito internacional.
Um memorando enviado ao Congresso dos EUA descreve o país como envolvido em um “conflito armado não internacional”, o que, segundo analistas, serviria para justificar poderes de guerra contra cartéis. O Pentágono teria deslocado milhares de militares para a região, e forças especiais foram avistadas em ilhas vizinhas como Trinidad e Tobago. Granada analisa pedido americano para instalar radares em seu aeroporto.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, alertou para possíveis ataques com drones ou ações de comandos. O presidente colombiano, Gustavo Petro, declarou que “um novo cenário de guerra se abriu” no Caribe, enquanto milícias civis venezuelanas treinam para um eventual confronto.

Imagem: Internet
Pressão sobre Maduro
Washington sustenta que Maduro lidera uma rede de narcotráfico — acusação rejeitada por Caracas. Em agosto, os EUA dobraram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão do presidente venezuelano. Segundo o New York Times, autoridades de Caracas chegaram a oferecer participação majoritária em petróleo, ouro e minerais em troca de alívio de sanções, proposta que teria sido recusada pela administração Trump.
Embora Trump tenha criticado o Comitê do Nobel por não premiá-lo, o ex-presidente mantém apoio à oposição venezuelana e postura dura contra o governo Maduro. Resta saber se a estratégia norte-americana ficará restrita a ataques a embarcações ou se avançará sobre figuras-chave do regime.
Venezuela conta com o respaldo de países como China, Rússia, Irã e Cuba, o que faz analistas temerem rápida escalada caso haja intervenção direta em território venezuelano.
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Com informações de BBC News





