Tel Aviv (Israel) – Centenas de milhares de pessoas se reuniram neste sábado (data local) na Praça Habima, em Tel Aviv, em ato de apoio às famílias dos reféns israelenses que permanecem sob poder do Hamas. O protesto ocorre a poucos dias do prazo final estabelecido pelo acordo de cessar-fogo para a libertação dos 48 sequestrados que ainda seguem cativos, 20 deles presumivelmente vivos.
Ao discursar, o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, afirmou que “os reféns estão voltando para casa” e atribuiu ao ex-presidente norte-americano Donald Trump o mérito por viabilizar o entendimento que prevê trégua e troca de prisioneiros. A menção a Trump foi saudada com gritos de “Thank you, Trump!”, enquanto citações ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foram recebidas com vaias.
Ivanka Trump e Jared Kushner, filha e genro do ex-presidente, também falaram à multidão. Muitos participantes carregavam faixas de agradecimento a Trump e cartazes cobrando a libertação imediata de todos os cativos.
Cúpula no Egito
O governo egípcio confirmou para esta segunda-feira (1º) uma cúpula em Sharm el-Sheikh destinada a finalizar um acordo que encerre a guerra. Mais de 20 líderes mundiais, incluindo Trump, são esperados. O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, já confirmaram presença. Trump deve visitar Israel no mesmo dia antes de seguir ao balneário egípcio.
Três integrantes do Amiri Diwan – órgão máximo da administração do Catar, país que atua como mediador no conflito – morreram em um acidente de carro próximo a Sharm el-Sheikh, informou a embaixada catariana no Egito.
Prazo para libertação de reféns
Pelo acordo anunciado na quinta-feira, o Hamas tem até as 12h (06h em Brasília) de segunda-feira para entregar todos os 48 reféns restantes, capturados ao longo de dois anos de guerra. O alto dirigente do grupo, Osama Hamdan, declarou à agência AFP que a troca de prisioneiros “começará na manhã de segunda, conforme previsto”, sem novos detalhes logísticos.
Familiares das vítimas do ataque de 7 de outubro de 2023, que deixou 1.200 mortos e 251 sequestrados em comunidades do sul de Israel, participaram do ato em Tel Aviv. “Precisamos que eles voltem para podermos retomar nossas vidas”, disse Aviv Havron, que perdeu parentes e teve outros levados para Gaza.
Situação em Gaza
No território palestino, fontes locais relatam que o Hamas convocou milhares de combatentes para retomar o controle de áreas recém-abandonadas por tropas israelenses, em meio a temores de violência interna. Autoridades palestinas estimam que cerca de 500 mil deslocados retornaram ao norte de Gaza nos últimos dois dias, encontrando bairros inteiros em ruínas.

Imagem: Internet
Relatório do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês) indica que apenas dois a três caminhões de ajuda humanitária têm entrado diariamente em Gaza, apesar da previsão de aumento após a trégua. O órgão planeja restabelecer 145 pontos de distribuição assim que houver acesso pleno. Já o Cogat, braço do Exército israelense que controla a entrada de suprimentos, afirmou que 500 caminhões cruzaram a fronteira na quinta-feira e que 300 deles foram distribuídos por agências da ONU e organizações parceiras.
Segundo a classificação do Sistema Integrado de Fases de Segurança Alimentar (IPC), apoiado pelas Nações Unidas, 500 mil pessoas – um quarto da população da Faixa – enfrentam fome extrema. Israel nega a ocorrência de inanição generalizada e atribui eventuais falhas na provisão de alimentos a agências humanitárias e ao Hamas.
Desde o início da ofensiva israelense, desencadeada após o ataque de outubro de 2023, o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas contabiliza mais de 67 mil palestinos mortos em Gaza.
Palavras-chave: Tel Aviv, Hamas, reféns, Donald Trump, cessar-fogo, Sharm el-Sheikh, Gaza, ajuda humanitária, Benjamin Netanyahu, Israel
Com informações de BBC News





