Roma (13.out.2025) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira (13) que o governo brasileiro mantém divergências apenas com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e não com o Estado de Israel. A afirmação foi feita após a abertura do Fórum Mundial da Alimentação, na capital italiana, horas depois de Israel e o grupo Hamas anunciarem um cessar-fogo na Faixa de Gaza.
“O Brasil não tem problema com Israel. O Brasil tem problema com o Netanyahu. Quando ele deixar o governo, não haverá nenhum obstáculo entre Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa”, disse Lula a jornalistas. O presidente elogiou ainda a “resistência” de setores da sociedade israelense às ações militares em Gaza.
Lula comemorou o acordo de trégua, embora tenha ressaltado que não há garantia de que seja permanente. “Antes tarde do que nunca. Pode ser o começo de algo definitivo”, afirmou. Segundo ele, o entendimento devolve “o direito das pessoas a dormirem tranquilas, sem medo de bomba ou prédio desabar”.
Desde os ataques de outubro de 2023, o chefe do Executivo brasileiro tem criticado a resposta israelense, que ele classifica como “genocídio”.
Reféns libertados e troca de prisioneiros
O cessar-fogo coincidiu com a libertação, pelo Hamas, dos 20 reféns que ainda estavam vivos em Gaza. Em contrapartida, Israel soltou cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, conforme informações divulgadas pela Casa Branca e pelo governo israelense.
Trump assina plano de paz
No início da tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no Egito um documento denominado “Plano de Paz de Gaza”, elaborado com a mediação de Egito, Catar e Turquia. Detalhes do acordo não foram divulgados.
Benjamin Netanyahu foi convidado para participar da cerimônia, mas declinou devido à proximidade do feriado judaico de Simchat Torá, que começa ao entardecer desta segunda (13) e termina na terça-feira (14), informou o gabinete do premiê à agência EFE.

Imagem: Paulo Pinto
Possível reflexo na guerra da Ucrânia
Lula avaliou que o entendimento entre Israel e Hamas pode abrir caminho para negociações entre Rússia e Ucrânia. “Se o mundo conseguiu avançar nessa questão, está na hora de pensar em resolver a guerra na Ucrânia e na Rússia. Acho plenamente possível”, afirmou.
O presidente deixou Roma no fim da tarde com destino a Brasília.
Com informações de Gazeta do Povo
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