Familiares de reféns israelenses confirmaram, nesta terça-feira (data local), a identidade de três dos quatro corpos transferidos pelo Hamas em Gaza. Foram reconhecidos Tamir Nimrodi, 20 anos, Eitan Levy, 53, e Uriel Baruch, 35. Cientistas forenses ainda analisam o quarto corpo, informou o Hostages Families Forum.
Com essa entrega, chega a sete o número oficial de reféns cujos restos mortais foram devolvidos por militantes palestinos. O acordo de cessar-fogo, intermediado pelos Estados Unidos, prevê a devolução de 28 corpos, mas o Hamas afirma enfrentar dificuldades para localizá-los. Diante da demora, autoridades israelenses ameaçaram restringir ainda mais a ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza.
Acesso em Rafah e pressões por ajuda
Mais cedo, a emissora pública israelense Kan noticiou que a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, seria aberta para a entrada de cerca de 600 caminhões com alimentos e suprimentos médicos. Horas depois, a Coordenação de Atividades Governamentais nos Territórios (Cogat) negou qualquer acordo para envio de ajuda e afirmou que o ponto será usado apenas para entrada e saída de palestinos. “Nenhuma carga humanitária passará por Rafah”, declarou um porta-voz.
O ministro da Defesa de Israel advertiu que qualquer “atraso ou omissão deliberada” na entrega dos corpos configurará violação grave do pacto e pode ter resposta militar. Segundo veículos locais, outros quatro corpos devem ser transferidos ainda nesta quarta-feira.
Reféns vivos e corpos de palestinos
Na segunda-feira (8), o Hamas libertou os 20 reféns israelenses que permaneciam vivos. Um dia depois, Israel entregou a Gaza os restos mortais de 45 palestinos detidos, informou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Cessar-fogo sob tensão
O plano de 20 pontos anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aceito por Israel e Hamas, estabelecia que todos os 48 reféns, vivos ou mortos, fossem repatriados até o meio-dia de segunda-feira (hora local). Documentos divulgados pela imprensa israelense reconhecem, porém, a dificuldade de localizar todos os corpos no prazo estipulado. Um funcionário israelense mencionou a formação de uma força-tarefa internacional para buscar os restos que ainda não foram encontrados.
“Um grande peso foi retirado, mas o trabalho NÃO TERMINOU. Os mortos não voltaram, como prometido. A segunda fase começa AGORA”, escreveu Trump na rede social X. Analistas palestinos, como o escritor Tayseer Abed, alertam que o impasse pode servir de “pavio” para nova escalada de violência se o cronograma não avançar.
Conflitos isolados
Apesar do cessar-fogo iniciado ao meio-dia de 10 de outubro, a Defesa Civil Palestina relatou a morte de sete pessoas na terça-feira em dois incidentes separados. A agência Wafa falou em cinco mortos por um drone israelense no bairro Shejaiya, após moradores cruzarem a “linha amarela”, zona de retirada das tropas de Israel. O Exército israelense confirmou disparos contra indivíduos que teriam ultrapassado o limite.

Imagem: Internet
Em paralelo, relatos de moradores dão conta de que o Hamas executou oito palestinos em público na Faixa de Gaza, sob a justificativa de restabelecer a segurança. O episódio gerou temor de ajustes de contas e repressão a opositores.
Próximas etapas do acordo
O pacto assinado na segunda-feira por Trump, Egito, Catar e Turquia – na presença de mais de 20 líderes mundiais, mas sem a participação de Benjamin Netanyahu nem de representantes do Hamas – prevê que Gaza seja administrada, inicialmente, por um comitê técnico palestino supervisionado pelo chamado “Conselho da Paz”. O controle seria posteriormente transferido à Autoridade Palestina, condicionada a reformas.
Entre os pontos ainda sem consenso estão o calendário de retirada das tropas israelenses, a exigência de desarmamento do Hamas e o formato de governo futuro no território. Netanyahu disse à emissora norte-americana CBS que “todo o inferno se abrirá” se o grupo não entregar as armas e impedir a fabricação ou o contrabando de armamentos. O Hamas, por sua vez, reafirma que só se desarmará com o reconhecimento de um Estado palestino e rejeita governança estrangeira em Gaza.
A ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza começou após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 sequestrados. Desde então, o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas contabiliza pelo menos 67.869 palestinos mortos pelas operações militares israelenses.
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Com informações de BBC News





