O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira (13) que está “determinado” a garantir o retorno dos corpos dos reféns israelenses e estrangeiros que permanecem em Gaza. A declaração foi feita durante cerimônia oficial no cemitério nacional do Monte Herzl, em Jerusalém, dois dias depois do aniversário, pelo calendário hebraico, do ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Horas antes, o Hamas entregou à Cruz Vermelha Internacional os corpos de mais dois reféns — identificados pelo governo israelense como Inbar Hayman e o sargento-mestre Muhammad al-Atarash — elevando para nove o total de cadáveres devolvidos desde segunda-feira. A organização palestina declarou não conseguir localizar outros 19 corpos devido às dificuldades de acesso em áreas destruídas.
Netanyahu reiterou que Israel continuará a “lutar contra o terrorismo com força total” e advertiu que retomará operações militares se o país voltar a ser atacado. O governo israelense também ameaçou restringir a entrada de ajuda humanitária em Gaza enquanto os corpos restantes não forem devolvidos.
O atraso provocou revolta em Israel. O Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos pediu que o Executivo “suspenda imediatamente” a implementação do acordo de cessar-fogo até a recuperação de todos os corpos. Apesar da pressão, assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmaram que Washington considera que o Hamas tem agido de boa-fé ao compartilhar informações sobre a localização dos corpos e que, por enquanto, não vê violação do acordo.
Em publicação na rede Truth Social, Trump sinalizou apoio à retomada dos combates caso o Hamas “continue a matar pessoas”, embora tenha reiterado que não pretende enviar tropas norte-americanas para o território.
O Hamas disse manter compromisso com o cessar-fogo e acusou Netanyahu de dificultar as buscas ao impedir a entrada de máquinas pesadas em Gaza. Imagens exibidas pela rede Al Jazeera mostraram combatentes do grupo vigiando escavadeiras que trabalhavam durante a noite em Khan Younis, no sul do enclave. Segundo a BBC, mediadores receberam coordenadas e fotos aéreas dos possíveis locais onde estariam os corpos.
O acordo firmado na semana passada previa a libertação, já concluída, de 20 reféns vivos em troca de 250 presos palestinos em Israel e 1.718 detidos de Gaza, além da devolução dos cadáveres. Uma versão vazada do texto indica que nem todos os corpos estariam acessíveis de imediato.

Imagem: Internet
Desde 7 de outubro de 2023, quando milicianos do Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel e sequestraram 251, as Forças de Defesa de Israel lançaram uma campanha militar em Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde local, ao menos 67.967 palestinos morreram nos ataques israelenses, números considerados confiáveis pela ONU.
Enquanto Israel exige a devolução de todos os corpos, autoridades de Gaza trabalham para identificar os palestinos cujos restos mortais foram entregues pelo governo israelense. Mais 30 cadáveres foram recebidos nesta quinta, elevando o total a 120.
Há expectativas pela reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, fechada desde que a área foi ocupada por soldados israelenses em maio. Um representante do órgão militar israelense Cogat informou que a data de reabertura “será anunciada posteriormente”, apenas para circulação de pessoas, e reiterou que a ajuda humanitária continuará entrando pelo cruzamento de Kerem Shalom e por outras passagens, após inspeções de segurança.
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Com informações de BBC News





