Jacarta – Eleito sob a promessa de acelerar a economia e promover mudanças sociais profundas, o presidente indonésio Prabowo Subianto enfrenta um primeiro ano de mandato marcado por protestos violentos, questionamentos sobre gastos públicos e episódios de intoxicação alimentar em massa.
Protestos e revogação de benefícios
No fim de agosto, milhares de jovens tomaram as ruas contra o aumento do custo de vida, a corrupção e a desigualdade. Os confrontos deixaram dez mortos e levaram o governo a cancelar benefícios concedidos a parlamentares, ponto central da indignação popular. Manifestações anteriores já haviam criticado cortes orçamentários em saúde e educação.
Programa de merenda bilionário sob pressão
Pilar da agenda social de Prabowo, o programa de refeições escolares gratuitas consome US$ 28 bilhões por ano (cerca de R$ 145 bilhões). Desde seu lançamento em janeiro, mais de 9 000 crianças adoeceram após consumir as marmitas, algumas precisando de internação. Organizações de saúde pedem a suspensão da iniciativa, enquanto o presidente defende que o país alcançou 30 milhões de beneficiários em 11 meses.
Especialistas apontam falta de infraestrutura adequada para armazenamento e transporte de alimentos pelo arquipélago de 6 000 ilhas habitadas. A terceirização do serviço dificulta o controle de qualidade e eleva o risco de contaminação.
Desafios econômicos
Com Produto Interno Bruto de US$ 1,4 trilhão, a Indonésia cresce perto de 5% ao ano, mas sente o impacto da demanda global mais fraca, da concorrência de Vietnam e Malásia e das tarifas de 19% impostas pelos Estados Unidos. O governo mira expansão de 8% até 2029.
O ministro-coordenador da Economia, Airlangga Hartarto, declarou à BBC que o país “está pronto” para investir nos setores certos. Ele citou o fundo soberano Danantara, voltado a energia renovável e manufatura avançada, como motor potencial de crescimento.

Imagem: Internet
Investimento estrangeiro em queda
Empresas externas reclamam de burocracia e custos elevados, mesmo com a abundância de níquel, cobre e óleo de palma. A recente demissão da ex-ministra das Finanças Sri Mulyani Indrawati — cuja casa foi invadida por manifestantes — aumentou a apreensão. Seu substituto, Purbaya Yudhi Sadewa, apoia a meta de 8% de expansão anual.
Economistas citam queda nas vendas de veículos, retração do investimento direto e demissões na indústria como sinais de desaceleração, contrariando dados oficiais. Ainda assim, o mercado interno de 280 milhões de pessoas sustenta algum dinamismo, lembra Adam Samdin, da Oxford Economics.
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Com informações de BBC News





