A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) retirou do ar três textos publicados durante a presidência de Lina Khan que tratavam de riscos da inteligência artificial (IA) e de modelos de código aberto, informou a revista Wired.
Foram removidos:
- On Open-Weights Foundation Models, de 10 de julho de 2024;
- Consumers Are Voicing Concerns About AI, de outubro de 2023;
- AI and the Risk of Consumer Harm, de 3 de janeiro de 2025, elaborado pela equipe de Khan.
Nos textos, a agência alertava para possíveis danos ao consumidor, como vigilância comercial, fraudes, falsificação de identidade e discriminação ilegal. O TechCrunch solicitou explicações à FTC, mas não obteve resposta. Lina Khan também preferiu não comentar.
Novo comando na FTC
As exclusões ocorrem sob a administração Trump, que vem orientando órgãos federais a remover ou alterar grande volume de conteúdo público. Após a posse, o presidente nomeou Andrew Ferguson para chefiar a FTC e substituiu comissários, reduzindo o foco em ações antitruste e priorizando a desregulamentação do setor de tecnologia.
Em setembro, Ferguson recomendou rever ou eliminar normas consideradas anticompetitivas em todo o governo. Segundo especialistas, as publicações retiradas não se enquadram no AI Action Plan da Casa Branca, que privilegia rápido crescimento e disputa com a China, com apoio expresso a iniciativas de código aberto.
Série de apagamentos
Esta não é a primeira vez que a FTC remove material de seus canais oficiais. Em março, reportagem da Wired revelou a exclusão de cerca de 300 textos sobre IA, proteção ao consumidor e processos contra empresas como Amazon e Microsoft.
Embora centenas de postagens anteriores permaneçam no blog do Escritório de Tecnologia da FTC, a gestão Ferguson ainda não publicou novos conteúdos, mesmo diante do ritmo acelerado de fusões e aquisições no setor de IA.
Possíveis conflitos com leis federais
Organizações de transparência alertam que a retirada de documentos pode ferir a Lei de Registros Federais, que obriga a preservação de informações governamentais, e a Lei de Dados Abertos, que exige a divulgação pública por padrão.
Outras agências também passaram por cortes de conteúdo, incluindo Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Departamento de Justiça e Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), afetando áreas como saúde pública e meio ambiente.
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Com informações de TechCrunch





