O ex-integrante do Regimento de Paraquedistas identificado apenas como Soldado F foi considerado inocente das acusações de assassinato e tentativa de assassinato relacionadas ao Domingo Sangrento, ocorrido em 30 de janeiro de 1972, em Londonderry (Derry), Irlanda do Norte.
Veredicto após cinco semanas de julgamento
O julgamento, conduzido sem júri pelo juiz Patrick Lynch no Tribunal da Coroa de Belfast, durou cinco semanas. O magistrado afirmou que militares que entraram em Glenfada Park North “perderam totalmente o senso de disciplina” e dispararam contra civis desarmados que corriam pelas ruas. Apesar disso, declarou que as provas apresentadas contra o réu ficaram “muito aquém” do necessário para uma condenação.
Acusações e vítimas
O Soldado F respondia por dois homicídios — James Wray, 22 anos, e William McKinney, 26 — e cinco tentativas de homicídio contra Joe Mahon (16), Michael Quinn (17), Joseph Friel (20), Patrick O’Donnell (41) e uma pessoa não identificada. No total, o Domingo Sangrento deixou 13 mortos e ao menos 15 feridos durante uma marcha por direitos civis no bairro Bogside.
Reações das famílias e autoridades
No tribunal, familiares das vítimas expressaram orgulho pela luta de décadas por justiça, ainda que desapontados com o resultado. Mickey McKinney, irmão de William, disse que todos mantêm “um incrível senso de orgulho”. Liam Wray, irmão de James, descreveu o dia como “difícil, triste e emotivo”.
O advogado Ciaran Shiels, que representa algumas famílias, classificou o acusado como “o serial killer mais protegido da história jurídica britânica”. Já o comissário de veteranos da Irlanda do Norte, David Johnstone, reconheceu a dor persistente causada pelos eventos de 50 anos atrás.
Entre políticos, a vice-primeira-ministra Michelle O’Neill (Sinn Féin) lamentou a “continuação da negação de justiça”, enquanto o líder do Partido Unionista Democrático, Gavin Robinson, saudou o que chamou de “julgamento de bom senso”. O deputado do SDLP Colum Eastwood enfatizou que as vítimas eram inocentes e desarmadas.

Imagem: Internet
Histórico do processo
A acusação foi apresentada em 2019 pelo Ministério Público da Irlanda do Norte, após investigação policial baseada no inquérito Saville. De 18 ex-militares investigados, apenas o Soldado F foi indiciado. O caso foi arquivado em 2021 após o colapso de outro processo, mas reaberto em 2022 mediante contestação judicial. Durante o julgamento, o réu permaneceu protegido por ordem de anonimato e atrás de telas que o ocultavam do público.
A absolvição encerra, pelo menos nos tribunais criminais, o único processo contra um veterano do Exército Britânico pelos disparos fatais do Domingo Sangrento.
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Com informações de BBC News





