O primeiro-ministro da França, François Bayrou, foi derrotado em uma votação de confiança na Assembleia Nacional na noite de segunda-feira (9). O placar de 364 votos contra 194 obriga Bayrou a apresentar sua renúncia nesta terça (10) ao presidente Emmanuel Macron, mergulhando o país em mais uma crise de governabilidade.
O que acontece agora
O Palácio do Eliseu informou que a decisão sobre o sucessor será anunciada “nos próximos dias”. Entre as possibilidades estão:
- indicação de um novo primeiro-ministro de centro-direita;
- mudança de rumo para a esquerda, buscando um nome aceitável ao Partido Socialista;
- dissolução do Parlamento e convocação de eleições antecipadas.
Líderes da França Insubmissa, à esquerda radical, pedem a renúncia de Macron, mas analistas consideram essa hipótese improvável.
Quinto chefe de governo em menos de dois anos
Se confirmado outro nome, será o quinto primeiro-ministro francês em menos de 24 meses, evidenciando o impasse político que marca o segundo mandato de Macron.
Voto de confiança girou em torno da dívida pública
Bayrou decidiu antecipar o debate para tentar apoio a seu alerta sobre o endividamento do país, estimado em 3,4 trilhões (2,9 trilhões). No projeto de orçamento para 2026, o premiê propôs eliminar dois feriados nacionais e congelar benefícios sociais e pensões, com a meta de economizar 44 bilhões de euros.
Sem base parlamentar, ele viu legendas de esquerda e a extrema-direita se unirem para derrubá-lo. Deputados acusaram o governo de mascarar sua própria responsabilidade pela situação fiscal.
Pressão nas ruas e nas contas públicas
Pesquisas indicam que o controle da dívida não figura entre as principais preocupações da população, dominada por temas como custo de vida, segurança e imigração. Mesmo assim, economistas projetam que o gasto anual com juros deve saltar de 30 bilhões em 2020 para mais de 100 bilhões em 2030.

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Movimentos sociais já marcaram protestos: o coletivo Bloquons Tout promete bloqueios a partir desta quarta (11) e várias centrais sindicais convocaram manifestações para 18 de setembro.
Candidatos cotados
Nos bastidores, circulam os nomes do ministro da Defesa, Sébastien Lecornu; da ministra do Trabalho, Catherine Vautrin; e do ministro das Finanças, Éric Lombard. O Partido Socialista, por sua vez, exige ruptura com a agenda pró-mercado do presidente e revogação da reforma que elevou a idade mínima de aposentadoria para 64 anos.
Bayrou assumiu o governo em dezembro passado, após a queda de Michel Barnier, e conseguiu aprovar um orçamento graças a um acordo de não agressão com os socialistas. A parceria ruiu depois que uma conferência sobre a reforma da Previdência ignorou reivindicações do partido.
Com a derrota, a França aguarda o anúncio de seu próximo primeiro-ministro enquanto cresce a incerteza sobre a capacidade do governo de aprovar reformas e conter a pressão fiscal.
Com informações de BBC News





