O grupo de brasileiros capturado pela Marinha de Israel durante a operação que barrou a flotilha humanitária Global Sumud segue preso sem prazo definido para sair do país. Entre os detidos está a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), mantida na penitenciária de Ketziot, no deserto do Negev, depois de recusar a assinatura de um termo de deportação acelerada.
As audiências que analisaram individualmente cada caso terminaram neste domingo, 5 de outubro de 2025, mas ainda não houve decisão sobre libertação ou remoção dos estrangeiros. Nos encontros, um juiz de imigração avalia se houve entrada irregular em território israelense e se o suspeito representa risco à segurança; em caso afirmativo, a custódia é mantida até a expulsão. Recursos são permitidos, porém o prazo costuma variar de 48 a 72 horas.
Situação da deputada
Segundo sua assessoria, Luizianne está há mais de 40 horas sem comunicação externa e aguarda autorização para visitas consulares. A parlamentar considera que assinar o documento proposto por Israel equivaleria a reconhecer ingresso ilegal no país, o que, na visão dela, criminalizaria uma missão civil de caráter pacífico.
Apoio oficial e pressões políticas
O Itamaraty divulgou nota na quinta-feira (2) exigindo acesso consular irrestrito e a libertação imediata dos brasileiros. No Congresso, parlamentares de vários partidos cobraram do Ministério das Relações Exteriores medidas mais duras, incluindo a possibilidade de suspender relações comerciais com Israel caso o impasse persista.
Detidos e deportações
Ao menos 15 brasileiros foram levados para portos israelenses após a abordagem em águas internacionais, de acordo com o governo brasileiro. Até o momento, apenas Nicolas Calabrese foi deportado; os demais permanecem detidos. Autoridades diplomáticas que visitaram Ketziot relataram que todos apresentam boas condições físicas e demonstram “resiliência emocional”.
Protesto em São Paulo
No mesmo domingo, milhares de pessoas se concentraram no centro da capital paulista em ato de solidariedade à população palestina e aos ativistas detidos. A manifestação foi organizada por movimentos de esquerda e sindicatos.

Imagem: Renato Araújo
A flotilha tentou romper o bloqueio marítimo mantido por Israel sobre a Faixa de Gaza, justificativa usada por Tel Aviv para impedir o contrabando de armas ao Hamas. Os ativistas afirmam que o objetivo era levar alimentos e suprimentos a civis.
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Com informações de Gazeta do Povo





