A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) não comunicou ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a presença de José Ferreira da Silva, o Frei Chico – irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – em sua diretoria. A omissão teria permitido a celebração de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o órgão previdenciário.
O documento da CGU foi apresentado nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2025, pelo relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Alberto Gaspar (União-AL). Por lei, entidades que contam com parentes de autoridades públicas em cargos de direção estão impedidas de firmar parcerias com a administração federal.
Frei Chico ocupa o cargo de vice-presidente do Sindnapi. O sindicato solicitou a renovação do ACT para que pudesse continuar descontando, diretamente da folha de pagamento dos aposentados, valores referentes às mensalidades associativas.
Segundo a CGU, ao apresentar declaração falsa sobre a composição de sua diretoria, o Sindnapi violou a Lei 13.019/2014 e comprometeu “de forma grave” a lisura do processo de habilitação. A controladoria ainda sustenta que a prática abriu caminho para movimentação de recursos provenientes do desconto automático.
Durante depoimento à CPMI, o atual presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, foi questionado sobre a acusação, mas optou por permanecer em silêncio. As investigações indicam que pelo menos 260 mil associados afirmam não ter autorizado os descontos em seus benefícios.
No colegiado, o senador Gaspar criticou a situação: “Um sindicato que recebeu 600 milhões atuando ilegalmente colocou o irmão do Presidente da República na vice-presidência, mentindo e cometendo crime”, declarou.

Imagem: TV Senado
Os trabalhos da CPMI prosseguem sem data definida para conclusão.
Palavras-chave: CGU, Sindnapi, Frei Chico, Lula, INSS, CPMI, Acordo de Cooperação Técnica, Força Sindical
Com informações de Gazeta do Povo





