O governo da Coreia do Sul está próximo de decidir se autoriza Google e Apple a transferirem dados cartográficos de alta resolução (escala 1:5.000) para servidores instalados fora do país. A medida permitiria que ruas, prédios e vielas aparecessem com muito mais detalhes em Google Maps e Apple Maps.
Na última semana, a Comissão de Defesa da Assembleia Nacional realizou uma auditoria parlamentar com representantes do Google Korea. Parlamentares questionaram o pedido de exportação dos mapas e expressaram preocupações sobre segurança nacional e soberania digital.
Um legislador alertou que a combinação de imagens comerciais com dados online pode revelar instalações militares sensíveis. Ele defende que o governo tenha poderes para monitorar e regular qualquer envio de informações geográficas precisas ao exterior, lembrando que o país segue tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte.
Segundo uma fonte do governo, a decisão final sobre o Google Maps deve ser anunciada até 11 de novembro, possivelmente antes. Em setembro, o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes prorrogou por 60 dias o prazo de análise.
Em fevereiro, o Google solicitou pela terceira vez ao Instituto Nacional de Informação Geográfica a autorização para usar mapa na escala 1:5.000 e armazenar os dados fora do território sul-coreano. Atualmente, o serviço opera com mapas na escala 1:25.000. Aplicativos locais como Naver Map, T Map e Kakao Map já oferecem informações mais detalhadas, o que lhes garante vantagem competitiva.
Pedidos semelhantes do Google foram negados em 2011 e 2016. Naquelas ocasiões, o governo condicionou a aprovação à construção de um data center no país e ao desfoque de áreas estratégicas; a empresa recusou. Após nova negativa em agosto, o Google concordou em borrar instalações de segurança e avalia comprar imagens de satélite aprovadas pelo governo de fornecedores locais, entre eles o T Map.
A Apple encaminhou solicitação em junho para exportar mapas na mesma escala, depois de ter sido rejeitada em 2023. Diferentemente do Google, a empresa mantém servidores locais, fator considerado positivo pelas autoridades. A análise do pedido foi adiada para dezembro.
Relatos indicam que a Apple está disposta a acatar restrições, como borrão, mascaramento ou redução de resolução em pontos sensíveis, e pretende utilizar o T Map como base de dados principal.
Pela Lei de Gestão de Informações Geoespaciais (artigo 16), dados oficiais de mapeamento não podem deixar o país sem aprovação de todo o gabinete de ministros. A norma, criada na década de 1970, sustenta o rígido controle estatal sobre informações de localização.
O uso de mapas detalhados tornou-se tema de segurança em várias regiões de conflito. O Exército de Israel pediu ao Google que desligasse dados de trânsito em tempo real em 2023, medida semelhante à adotada na Ucrânia em 2022. Em 2009, reguladores europeus exigiram que o Google apagasse imagens originais do Street View devido a preocupações de privacidade.
Google e Apple não responderam aos pedidos de comentário. O Google Maps está disponível em 250 países e territórios; o Apple Maps, em pouco mais de 200.
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Com informações de TechCrunch





