As Forças de Defesa de Israel (FDI) realizaram ataques aéreos no sul da Faixa de Gaza neste domingo, alegando que o Hamas executou “múltiplos ataques contra tropas israelenses além da Linha Amarela”, área para a qual o Exército se retirou na primeira fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Em comunicado, um porta-voz militar classificou as ações do grupo palestino como “grave violação” do entendimento em vigor desde 10 de outubro, parte do plano de 20 pontos apresentado pelo então presidente norte-americano Donald Trump para encerrar a guerra iniciada há dois anos.
O Hamas negou ter rompido o cessar-fogo, disse continuar comprometido com suas cláusulas e acusou Israel de repetidas quebras do acordo.
Liberação de reféns e prisioneiros
Na fase inicial do pacto, todos os reféns israelenses vivos foram libertados, e corpos de vítimas ainda estão sendo devolvidos a Israel. Em contrapartida, as autoridades israelenses soltaram 250 palestinos de suas prisões e 1.718 detidos oriundos de Gaza.
Alerta dos Estados Unidos
Horas antes dos bombardeios em Rafah, o Departamento de Estado dos EUA informou ter “relatos confiáveis” de que o Hamas planejava um ataque iminente contra civis em Gaza — ação que caracterizaria “séria violação” do cessar-fogo. Washington afirmou ter notificado Egito, Catar e Turquia, também garantes do acordo, e advertiu que adotará “medidas para proteger a população de Gaza” se a ofensiva ocorrer.
O ex-presidente Trump já havia advertido, em rede social, que “se o Hamas continuar a matar pessoas em Gaza, não teremos escolha a não ser entrar e matá-los”, esclarecendo depois que não pretende enviar tropas americanas ao território.
Confrontos internos e controle territorial
Verificação da BBC confirmou vídeos que mostram uma execução pública conduzida por combatentes do Hamas em Gaza. Na semana passada, confrontos entre forças de segurança do grupo e membros armados da família Dughmush deixaram 27 mortos na Cidade de Gaza, no episódio interno mais violento desde o recuo parcial israelense.
Atualmente, Israel mantém controle de pouco mais de 50% da Faixa, após o reposicionamento para a Linha Amarela. Relatos indicam que quadrilhas envolvidas em saques a comboios de ajuda humanitária circulam livremente na parte leste sob presença militar israelense.

Imagem: Internet
O Hamas, que governa Gaza há 18 anos, enfrenta pressões de facções como as Forças Populares de Abu Shabab, que, segundo o grupo, estariam recebendo armas e apoio israelense. Para retomar a autoridade, cerca de 7.000 agentes de segurança foram convocados.
Balanço do conflito
No ataque de 7 de outubro de 2023, homens armados liderados pelo Hamas mataram aproximadamente 1.200 pessoas no sul de Israel e fizeram 251 reféns. Desde então, ofensivas israelenses deixaram pelo menos 68.000 mortos em Gaza, de acordo com o ministério da Saúde controlado pelo Hamas, cujos dados são considerados confiáveis pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O cessar-fogo prevê que o Hamas entregue seu armamento para não representar ameaça a Israel, condição ainda não cumprida. O grupo afirma que suas forças policiais, “com amplo apoio popular”, atuam para capturar as quadrilhas e “responsabilizá-las”.
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Com informações de BBC News





