Los Angeles (EUA) – A primatóloga e ambientalista britânica Jane Goodall morreu de causas naturais na Califórnia, aos 91 anos, enquanto participava de uma turnê de palestras pelos Estados Unidos, informou nesta quinta-feira (26) o Jane Goodall Institute.
Reconhecida mundialmente por revolucionar o conhecimento sobre chimpanzés, Dame Jane recebeu homenagens de líderes políticos, artistas e organizações ambientais. O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama destacou que a cientista “abriu portas para gerações de mulheres na ciência”. O ator e ativista Leonardo DiCaprio afirmou que ela “inspirou milhões a cuidar, agir e manter a esperança” e a definiu como “uma verdadeira heroína do planeta”.
Homenagens internacionais
A Organização das Nações Unidas lamentou a perda da Mensageira da Paz nomeada em 2002 e ressaltou sua “incansável defesa do planeta e de todos os seus habitantes”. O Greenpeace classificou a morte como “desoladora” e descreveu Goodall como “um dos grandes nomes da conservação”. O duque e a duquesa de Sussex, Harry e Meghan, afirmaram que a pesquisadora foi uma “amiga do planeta e nossa amiga”. Já o ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau disse que “sua compaixão continuará viva” em futuras ações de preservação.
Trajetória científica
Nascida em 1934 e criada em Londres, Jane Goodall interessou-se por animais na infância, inspirada por livros como “Tarzan” e “A História do Doutor Dolittle”. Na década de 1950, conheceu o paleoantropólogo Louis Leakey no Quênia, que a incentivou a estudar chimpanzés mesmo sem formação acadêmica. Em 1960, já na Tanzânia, registrou o uso de ferramentas por um macho batizado de David Greybeard, derrubando a ideia de exclusividade humana nesse comportamento.
As descobertas foram publicadas nas principais revistas científicas e, em 1965, Goodall estampou a capa da National Geographic. No mesmo ano, protagonizou o documentário “Miss Goodall and the World of Chimpanzees”, narrado por Orson Welles, que revelou ao público a sociabilidade e os laços familiares dos primatas.
Ativismo e reconhecimento
Com o tempo, a pesquisadora transformou-se em ativista pela libertação de chimpanzés em cativeiro e, posteriormente, em voz global contra a crise climática. Fundou, em 1977, o Jane Goodall Institute, dedicado à proteção de chimpanzés e à promoção de projetos ambientais. Foi nomeada Dama do Império Britânico em 2003 e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade dos EUA em 2025.

Imagem: Internet
Conhecida pelo ritmo intenso de viagens, Goodall declarou ao jornal The Times, em 2022, que não dormia na mesma cama por mais de três semanas desde 1986. Uma semana antes de morrer, concedeu entrevista em Nova York e tinha palestra esgotada marcada para 3 de outubro na Califórnia.
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Com informações de BBC News





