A Netflix declarou em sua carta trimestral a investidores, divulgada na tarde de terça-feira (21), que está “muito bem posicionada” para aproveitar os avanços em inteligência artificial generativa. A empresa reforçou que a tecnologia será empregada como ferramenta de produtividade para equipes criativas, e não como pilar principal da produção de conteúdo.
Durante a teleconferência de resultados, o co-CEO Ted Sarandos afirmou que “é preciso um grande artista para criar algo grandioso” e que a IA pode “dar melhores ferramentas” aos profissionais, mas não substitui o talento de contar histórias. “Estamos totalmente comprometidos, mas não buscamos novidade pela novidade”, disse.
Casos práticos já adotados
No início do ano, a plataforma utilizou IA generativa pela primeira vez em cenas finais de “The Eternaut”, série argentina em que um edifício desaba. Mais tarde, a tecnologia apareceu no filme “Happy Gilmore 2” para rejuvenescer personagens na sequência de abertura e, na produção “Billionaires Bunker”, foi usada na pré-produção para prever figurinos e cenários.
Controvérsia na indústria
Apesar do entusiasmo da gigante do streaming, artistas e sindicatos seguem preocupados com o impacto de modelos de linguagem treinados sem consentimento. A tensão aumentou após a OpenAI lançar o Sora 2, capaz de gerar áudio e vídeo sem bloqueios que impeçam a criação de imagens de atores e figuras históricas.
Nesta semana, o sindicato SAG-AFTRA e o ator Bryan Cranston pediram à OpenAI regras mais rígidas para evitar deepfakes. Questionado sobre o efeito do Sora na Netflix, Sarandos respondeu que criadores poderão sentir impacto, mas declarou não temer pela substituição da criatividade humana.

Imagem: Getty
Números do trimestre
A receita trimestral da Netflix cresceu 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 11,5 bilhões, resultado que ficou abaixo da projeção da própria companhia.
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Com informações de TechCrunch





