São Francisco (EUA) – A Periodic Labs, startup criada pelos pesquisadores Liam Fedus, ex-OpenAI, e Ekin Dogus Cubuk, ex-Google Brain, emergiu do modo stealth no mês passado ao anunciar uma rodada seed de US$ 300 milhões liderada pela Felicis.
Fedus, que integrou a equipe original do ChatGPT e chefiava o grupo de pós-treinamento da OpenAI, decidiu deixar a empresa há cerca de sete meses após conversar com Cubuk, especialista em aprendizado de máquina e ciência de materiais. A dupla avaliou que havia três avanços simultâneos capazes de viabilizar a automação da descoberta de novos materiais: braços robóticos confiáveis para síntese em pó, simulações de alta precisão e modelos de linguagem com forte capacidade de raciocínio.
De acordo com Cubuk, a combinação desses fatores permite que simulações identifiquem compostos promissores, robôs misturem os materiais e modelos de IA analisem os resultados, indicando ajustes para experimentos futuros. Experiências anteriores reforçaram a tese: em 2023, Cubuk participou de um projeto do Google que produziu 41 compostos inéditos em um laboratório totalmente automatizado.
A saída de Fedus da OpenAI, divulgada no X, provocou uma corrida de investidores. Segundo o fundador, a Periodic chegou a receber cartas de “amor” de fundos interessados. O primeiro contato efetivo veio de Peter Deng, ex-colega de Fedus que hoje integra a Felicis. O aporte foi fechado mesmo antes da empresa ter nome ou conta bancária.
Além da Felicis, participam da rodada Andreessen Horowitz, DST, NVentures (braço da Nvidia), Accel e anjos como Jeff Bezos, Elad Gil, Eric Schmidt e Jeff Dean. Com os recursos, a Periodic contratou mais de 20 especialistas em IA e ciência, entre eles Alexandre Passos, Eric Toberer e Matt Horton. Todas as semanas, um membro apresenta aula de nível pós-graduação para alinhar conhecimentos da equipe.
O laboratório já está operando com dados experimentais e simulações. A missão inicial é descobrir novos materiais supercondutores, considerados estratégicos para tecnologias de alta eficiência energética. Os braços robóticos, no entanto, ainda estão em fase de treinamento.
Apesar do capital expressivo, os fundadores reconhecem que descobertas científicas são, por natureza, incertas. Mesmo assim, acreditam que os dados gerados — inclusive de experimentos malsucedidos — serão valiosos para futuros modelos de inteligência artificial.
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Com informações de TechCrunch





