A ativista argentina Rosa Roisinblit, uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio, morreu aos 106 anos, informou a própria organização neste sábado (9).
Roisinblit era presidente honorária do grupo criado para localizar crianças retiradas de opositores durante a ditadura militar instaurada entre 1976 e 1983. Em comunicado, a entidade agradeceu “a dedicação e o carinho” com que ela perseguiu a busca pelos netos e netas “até o fim”.
Vida e desaparecimento da família
Nascida em 15 de agosto de 1919, em Moisés Ville — comunidade de imigrantes judeus na região central da Argentina —, Rosa formou-se em obstetrícia. Mudou-se para Buenos Aires em 1949 e casou-se dois anos depois.
Em 6 de outubro de 1978, durante o chamado “Processo de Reorganização Nacional”, sua filha grávida, Patricia, o genro José Pérez Rojo e a neta de 15 meses, Mariana, foram sequestrados. O trio foi levado à Escola de Mecânica da Armada (Esma), maior centro clandestino de detenção da capital. Patricia permaneceu viva apenas até dar à luz um menino num porão; ela e o marido nunca mais foram vistos. Mariana foi devolvida à avó, que a criou, enquanto o recém-nascido foi entregue a um oficial de inteligência da Aeronáutica.
Atuação nas Avós da Praça de Maio
Depois do desaparecimento da família, Rosa aderiu às Avós da Praça de Maio, exercendo a tesouraria por seis anos e a vice-presidência de 1989 a 2022. Estima-se que 500 bebês tenham sido apropriados por agentes do regime; cerca de 140 já reencontraram suas famílias graças ao trabalho da entidade.
Reencontro com o neto
Em 2000, Mariana — com apoio das Avós — localizou o irmão. Exames de DNA confirmaram o parentesco e ele recuperou sua identidade original, Guillermo. No registro forjado, o jovem aparecia como Guillermo Francisco Gómez, criado pelo militar Francisco Gómez e por Teodora Jofre.

Imagem: Internet
Em 2016, Rosa testemunhou a condenação de Francisco Gómez à prisão perpétua pelo sequestro do bebê; Jofre recebeu pena de três anos. No mesmo ano, um ex-chefe da Força Aérea e um ex-oficial de inteligência foram sentenciados a 25 anos de prisão pelo rapto e tortura de Patricia e José.
Legado
Mesmo aos 96 anos, a ativista continuava presente nos julgamentos. “Essa ferida não cicatriza”, declarou à agência AFP em 2017, reforçando que jamais deixaria a militância. O neto Guillermo formou-se advogado de direitos humanos e atua com as Avós da Praça de Maio.
Ao anunciar a morte da avó na rede X, Guillermo escreveu que, apesar da dor, encontra consolo ao imaginar Rosa “reunida, após 46 anos, com minha mãe e com seu grande amor, meu avô Benjamín”.
Com informações de BBC News





