Senado inicia análise do projeto que reformula quase todo o Código Civil e mira votação até 2026

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Brasília, 26 de setembro de 2025 – O Senado instalou nesta quarta-feira (24) a comissão temporária que vai avaliar o Projeto de Lei 4/2025, iniciativa que altera cerca de 900 dispositivos do Código Civil de 2002 e acrescenta mais de 300 novos artigos. O cronograma prevê apresentação do parecer final até junho de 2026, ano em que 54 dos 81 senadores encerrarão seus mandatos.

Presidido pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) – autor formal da proposta e ex-presidente da Casa – o colegiado terá como relator Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e Efraim Filho (União-PB) na vice-presidência. A comissão conta com 11 titulares e 11 suplentes de diferentes bancadas, entre eles Soraya Thronicke (Podemos-MS), Weverton Rocha (PDT-MA) e Fabiano Contarato (PT-ES).

Pacheco apresentou o projeto em janeiro, mantendo o texto elaborado em 2024 por um grupo de 37 juristas chefiado pelo ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça. Advogado e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o senador tenta associar seu nome a uma agenda considerada estrutural.

Temas sensíveis em debate

O relatório propõe mudanças em áreas como direito de família, sucessões, empresarial, contratos, propriedade, direitos dos animais e direito digital. Entre os pontos mais contestados estão:

  • reconhecimento automático de paternidade sem exame de DNA;
  • multiparentalidade formalizada;
  • substituição de “homem e mulher” por “duas pessoas” no artigo sobre casamento;
  • divórcio unilateral em cartório;
  • previsão de herança para parceiros extraconjugais.

Entidades da sociedade civil alertam que as alterações podem fragilizar vínculos familiares e criar insegurança jurídica. A presidente-executiva do Instituto Isabel, Andrea Hoffman, anunciou que apresentará sugestões de ajuste, defendendo a proteção explícita do direito à vida como princípio geral.

Direito digital no centro das discussões

O projeto revoga o artigo 19 do Marco Civil da Internet, atribuindo responsabilidade às plataformas por conteúdos de terceiros mesmo sem decisão judicial – posição reforçada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal. Também ressuscita o chamado “direito ao esquecimento”, permitindo a retirada de links de buscadores, ponto criticado por veículos de imprensa que temem apagamento de reportagens históricas.

Analistas políticos, como Marcus Deois, veem forte articulação para acelerar os trabalhos, mas avaliam que a complexidade dos temas pode atrasar a votação. Após a conclusão do relatório, o texto deverá seguir diretamente ao plenário do Senado e, em caso de aprovação por maioria simples, será encaminhado à Câmara dos Deputados.

Palavras-chave: Código Civil, Senado, Rodrigo Pacheco, PL 4/2025, direito de família, direito digital, multiparentalidade, Marco Civil da Internet, reforma legislativa, eleição 2026

Com informações de Gazeta do Povo

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