A Spiro, empresa de mobilidade elétrica com sede em Dubai, anunciou a captação de US$ 100 milhões em rodada liderada pelo The Fund for Export Development in Africa (FEDA), braço de desenvolvimento do Afreximbank. O aporte é o maior já registrado no segmento de veículos elétricos na África.
De acordo com a companhia, o novo capital financiará a expansão da rede de troca de baterias, o aumento da capacidade de produção e pesquisa e desenvolvimento, além do início de operações-piloto em Camarões e Tanzânia.
Expansão acelerada
A Spiro pretende colocar mais de 100 000 motocicletas elétricas em circulação no continente até o fim de 2025, meta que representa crescimento anual de 400%. Atualmente, a empresa opera em seis países — Benim, Togo, Ruanda, Quênia, Nigéria e Uganda — com uma frota de 60 000 motos e 1 500 estações de troca de baterias.
Quando o CEO Kaushik Burman, ex-Gogoro, assumiu o comando há dois anos, a Spiro contava com 8 000 motos e 150 pontos de troca. Desde então, o número de trocas de bateria subiu de 4 milhões em 2022 para mais de 27 milhões em 2023.
Modelo alinhado à realidade local
O negócio baseia-se em estações onde os motociclistas substituem baterias descarregadas por unidades totalmente carregadas, evitando paradas longas para recarga. Segundo Burman, as motos da Spiro custam cerca de US$ 800 — aproximadamente 40% menos que modelos a gasolina, vendidos entre US$ 1 300 e US$ 1 500 no Quênia ou Ruanda. O custo por quilômetro é 30% inferior ao do combustível, permitindo economia diária de até US$ 3 para condutores que utilizam o serviço de táxi-motocicleta.
A receita vem da venda ou locação dos veículos e de taxas cobradas por troca de bateria, calculadas por algoritmo próprio que mensura o consumo de energia. As estações são instaladas em postos de combustível, centros comerciais e instituições religiosas, gerando empregos locais.
Indústria e nacionalização
Para atender à demanda, a startup inaugurou fábricas de montagem em Quênia, Nigéria, Ruanda e Uganda, onde produz motos e componentes como motores de tração, controladores e baterias. Hoje, 30% das peças são obtidas nos próprios mercados; o objetivo é elevar esse índice para 70% em dois anos, incluindo itens como plásticos, capacetes e freios.
Financiamento anterior
Antes da rodada atual, a Spiro já havia recebido mais de US$ 180 milhões em dívidas e capital da controladora Equitane Group e do Société Générale.
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Com informações de TechCrunch





