Tensões diplomáticas travam vistos, e Leverage Edu redireciona estudantes para novos destinos

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Noida (Índia) – O endurecimento das regras de vistos em países tradicionais de intercâmbio, somado a atritos diplomáticos, tem levado milhares de estudantes a repensar seus planos de estudo no exterior. A startup indiana Leverage Edu vem se aproveitando desse cenário ao redirecionar candidatos para rotas alternativas, dobrar sua receita e alcançar lucratividade.

Adaptação rápida perante restrições

Crises como o impasse Índia-Canadá entre 2023 e 2024 e novos atritos Índia-EUA sobre tarifas e imigração atrasaram processos de admissão. Canadá e Austrália também apertaram políticas de visto estudantil, surpreendendo famílias. Consultorias locais não conseguiram reagir com a mesma velocidade de Leverage Edu, que indicou novos destinos e manteve cronogramas de inscrição.

Quando as relações Índia-Canadá azedaram, a empresa direcionou candidatos indianos para universidades alemãs e auxiliou instituições canadenses a buscar alunos na Nigéria. A mesma estratégia está em curso diante das tensões com Washington. Hoje, parte crescente da demanda por universidades norte-americanas vem do Brasil e do Vietnã, segundo o fundador e CEO Akshay Chaturvedi.

Expansão internacional acelerada

Nos últimos dois meses, a Leverage iniciou operações na Arábia Saudita, Egito, Vietnã e Malásia, totalizando 16 países de origem estudantil e 11 destinos acadêmicos. A companhia conta com aplicativo móvel, buscador de cursos com IA, ferramenta de matchmaking UniConnect e suíte SaaS para universidades, a Univalley.ai.

A plataforma diversificou serviços: Leverage MBBS (medicina), Fly Finance (empréstimos educacionais), Fly Homes (moradia) e unidades para carreira e orientação profissional.

Números em alta

A companhia passou de 1.500 para mais de 10.000 estudantes colocados por ano. Cerca de 60% dos novos clientes chegam sem custo de aquisição. A receita no ano fiscal de 2025 superou ₹1,8 bilhão (≈ US$ 20 milhões), o dobro do período anterior. Entre abril e setembro de 2026, o faturamento já ultrapassou ₹2 bilhões (≈ US$ 23 milhões) e deve atingir ₹3,7 a 3,8 bilhões (≈ US$ 45 milhões) até março.

O lucro após impostos ficou entre ₹120 e 130 milhões (≈ US$ 1,4 a 1,5 milhão) e deve ultrapassar ₹250 milhões (≈ US$ 2,8 milhões) no fim do ano fiscal, revertendo prejuízo de ₹800 milhões em 2025.

Tensões diplomáticas travam vistos, e Leverage Edu redireciona estudantes para novos destinos - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Do total arrecadado, 25% vem de serviços complementares (financiamento, remessas, moradia e estágios) e 75% do núcleo educacional. Desse montante, 20% são pagos pelos estudantes e 55% representam comissões de universidades.

Mercados prioritários

A Índia responde por 58% da base de alunos, com foco nos estados de Andhra Pradesh, Kerala e Punjab. O Reino Unido lidera os destinos (52% das matrículas), seguido da Alemanha (22%). A Itália desponta como mercado que mais cresce no verão. Já a América do Norte representa menos de 5%, reflexo das restrições recentes.

Rumo à abertura de capital

Com presença em 27 países, mais de 50 escritórios e cerca de 800 funcionários, a Leverage considera um IPO na Índia já no próximo ano. A decisão entre listar ações ou captar novos recursos deve ser tomada após a empresa atingir US$ 100 milhões em receita, meta prevista para 2026. Até o momento, foram levantados menos de US$ 50 milhões em capital próprio.

Palavras-chave: Leverage Edu, vistos, intercâmbio, Índia, Reino Unido, Alemanha, receita, IPO, estudantes, edtech

Com informações de TechCrunch

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