O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (12) que decidiu suspender os preparativos para um encontro presencial com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, motivado pela possibilidade de a conversa não trazer resultados concretos sobre a guerra na Ucrânia. “Eu não quero ter uma reunião desperdiçada”, declarou Trump na Casa Branca.
Mais cedo, um funcionário do governo norte-americano informou que “não há planos” para uma reunião Trump-Putin “no futuro imediato”. O comunicado contradiz o anúncio feito pelo próprio Trump na última quinta-feira (8), quando disse que os dois líderes se encontrariam em Budapeste dentro de duas semanas.
Divergências sobre cessar-fogo
Segundo Trump, o principal impasse é a recusa de Moscou em interromper as hostilidades na atual linha de frente. Na segunda-feira (11), o presidente americano aderiu a uma proposta defendida por Kiev e por líderes europeus para congelar o conflito no ponto em que se encontra: “Que seja cortado como está. Eu disse: parem na linha de batalha. Voltem para casa. Parem de lutar, parem de matar pessoas”.
A Rússia rejeitou a ideia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a sugestão já havia sido apresentada “repetidamente” e que a posição russa permanece “consistente”: exige a retirada total das tropas ucranianas das regiões orientais.
O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, reforçou nesta terça-feira que Moscou busca uma “paz longa e sustentável” e que um cessar-fogo na linha atual seria apenas temporário. Entre as condições citadas estão o reconhecimento da soberania russa sobre todo o Donbass e a desmilitarização da Ucrânia — exigências inaceitáveis para Kiev e para seus parceiros europeus.
Preparativos cancelados
A suspensão do encontro culminou com o cancelamento de uma reunião preparatória que ocorreria esta semana entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e Lavrov. Segundo a Casa Branca, os dois tiveram uma “conversa produtiva” por telefone, tornando o encontro “desnecessário”.
Fontes diplomáticas europeias ouvidas pela agência Reuters avaliam que Washington pretende evitar a repetição do resultado “estéril” da última cúpula entre Trump e Putin, realizada às pressas no Alasca em agosto e que terminou sem acordos.
Reações de Zelensky e líderes europeus
Em comunicado conjunto divulgado nesta terça-feira, chefes de governo europeus e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defenderam que eventuais negociações com Moscou comecem pelo congelamento da linha de contato atual. Eles acusaram a Rússia de não estar “séria” em relação à paz.

Imagem: Internet
Zelensky, que se reuniu com Trump na Casa Branca um dia após a ligação entre o americano e Putin, classificou a discussão sobre a linha de frente como “o início da diplomacia”. O líder ucraniano reiterou que não abrirá mão das áreas do Donbass ainda sob controle de Kiev e disse que apenas o envio de armas de longo alcance faria Moscou “prestar atenção”.
Tomahawks e pressões de bastidores
A ligação não programada de Putin para Trump, na quinta-feira, ocorreu em meio a rumores de que Washington estaria prestes a autorizar o envio de mísseis de cruzeiro Tomahawk a Kiev, capazes de atingir alvos em território russo. Zelensky afirmou que essa possibilidade “forçou” o Kremlin a conversar, embora tenha deixado a Casa Branca sem a confirmação do fornecimento do armamento.
Relatos da imprensa norte-americana sugerem que o encontro entre Trump e Zelensky teria sido tenso, com o presidente dos EUA pressionando o ucraniano a ceder partes de Donetsk e Luhansk para viabilizar um acordo com Moscou — hipótese rejeitada por Zelensky.
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Com informações de BBC News





