O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (data local) que Israel e Hamas concordaram com a fase inicial de um acordo para encerrar a guerra na Faixa de Gaza, conflito que dura dois anos.
Em mensagem publicada na plataforma Truth Social, Trump afirmou que o entendimento prevê a libertação de todos os reféns “muito em breve” e a retirada das tropas israelenses até uma linha previamente definida, passos que ele classificou como caminho para uma “paz forte, duradoura e permanente”.
Negociações mediadas no Egito
O anúncio ocorreu depois de três dias de conversas indiretas no Egito, conduzidas por autoridades egípcias, cataris, turcas e norte-americanas. Tanto Israel quanto Hamas confirmaram que alcançaram um consenso sobre a proposta.
Pontos principais do acerto
- Libertação de todos os reféns mantidos em Gaza;
- Retirada gradual das forças israelenses para a linha acordada;
- Troca de prisioneiros e entrada de ajuda humanitária;
- Acordo prevê início da liberação de reféns na próxima segunda-feira, segundo fonte da Casa Branca citada pela CBS.
Um representante palestino ouvido pela BBC indicou que o cessar-fogo entrará em vigor logo após a aprovação formal do gabinete israelense, prevista para as 14h em Jerusalém (11h GMT). Nesse período inicial, Israel deverá permitir a entrada de 400 caminhões de ajuda por dia em Gaza, com aumento gradual nas fases seguintes.
Reações em Israel
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em publicação na rede X, celebrou um “grande dia” e disse que convocará o governo para ratificar o entendimento. A chancelaria israelense informou que Netanyahu e Trump conversaram por telefone e se parabenizaram pelo “histórico” avanço.
O presidente israelense, Isaac Herzog, declarou que “o coração de Israel bate como um só” com os reféns e seus familiares. Segundo autoridades israelenses, 48 pessoas ainda estão em cativeiro: até 20 com vida e 28 já mortas.
Posição do Hamas
O grupo islâmico confirmou que o acordo prevê retirada israelense, troca de prisioneiros e entrada de auxílio, elogiando “os esforços do presidente Donald Trump” para encerrar o conflito. A organização pediu que os países garantidores pressionem Israel a cumprir todos os termos.
Fontes do Hamas disseram à BBC que a lista de prisioneiros apresentada inclui nomes de destaque, como Marwan Barghouti, considerado possível futuro líder palestino, sem confirmação de que Israel aceite soltá-lo.

Imagem: Internet
ONU saúda o entendimento
Em mensagem no X, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apoiou a “plena implementação” do pacto e prometeu ampliar a entrega de ajuda humanitária, pedindo a todas as partes que “aproveitem a oportunidade”.
Contexto do conflito
Israel iniciou sua ofensiva em Gaza após o ataque de 7 de outubro de 2023, quando militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram 251. Desde então, o Ministério da Saúde de Gaza, cujos dados são reconhecidos pela ONU, relata 67.183 mortos, incluindo 20.179 crianças. Israel contesta os números.
Relatórios indicam ainda 460 mortes por efeitos de desnutrição, das quais 182 ocorreram depois que a fome foi declarada em Gaza City em agosto pelo IPC (Classificação Integrada de Fase de Segurança Alimentar), apoiado pela ONU. O governo israelense nega que haja fome na região e diz facilitar a entrada de suprimentos.
Palavras-chave: Gaza, Israel, Hamas, Donald Trump, acordo de paz, reféns, cessar-fogo, ajuda humanitária
Com informações de BBC News





